quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Que sei eu!?







terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Semelhanças e Diferenças...

Millôr Fernandes, um grande das letras em português, lançou um desafio :

Qual a diferença entre Político e Ladrão ?


Um leitor atento, de nome Viltrakis, escreveu-lhe:
- Caro Millôr , após longa pesquisa cheguei a esta conclusão:
a diferença entre o ladrão e o político é que um eu escolho, o outro escolhe-me.
Estou certo?

Millôr logo lhe respondeu:
- Puxa, Viltrakis, você é um gênio...
Foi o único que conseguiu achar uma diferença!
Parabéns!!

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Millôr Fernandes também é poeta:

Poeminha da Negação da Afirmação

Sou um homem bem comum
sem nenhuma aspiração.
Não quero ser general
e muito menos sultão.
Sou moderado de gastos,
de ambição reduzida,
não sonho ser big-shot
estou contente da vida.
Nunca invejei o próximo
nem lhe cobiço a mulher,
pego o meu lugar na fila
e seja o que Deus quiser.
Não sou mau pai, nem mau esposo,
Grosseiro nem invejoso
- só um pouco mentiroso.


domingo, 2 de Agosto de 2009

Poesia em Agosto

Sendo Julho e Agosto os meses tradicionais para férias, as aldeias, vilas e cidades fervilham de ofertas culturais e recreativas.
Em Olhão não se ferve em cultura e, embora haja um apontamento aqui e ali, o foco das atenções são as feiras agrícolas e os festivais de marisco. Enfim!
Já que o Auditório parece que também fechou para férias, faço eu aqui um momento de poesia, imaginando estar num lugar calmo sob as estrelas, com um ventinho calorento e uma bebida fresca.




Faço sempre quinze anos nesta noite de Agosto,
e a noite fica olhando para mim:
é uma cabeça de mulher sem princípio nem fim,
e esconde o corpo e avança o rosto.
Na boca, florindo um riso malicioso de intriga,
há o adeus estouvado de uma rapariga
feita para eu amar e que vai casar esta noite.

Fecho os olhos e deixo entornar os sentidos
até endoidecer,
para vingar-me desse riso de mulher
e arpoá-la com os meus braços e rasgar-lhe os vestidos
e apunhalá-la no sexo até ouvir-lhe os gemidos.

Mas junto a mim a noite é apenas o rosto
de uma cabeça de mulher sem princípio nem fim.
E a noite fica olhando sempre para mim...
e eu tenho sempre quinze anos nesta noite de Agosto!

Leonel Neves
Natural do Algarve (1986)
Imagem: quadro de Tamara de Lempicka

segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Ambiente

Bem prega Frei Tomás: Não digas o que ele diz nem faças o que ele faz!


4ª Feira Nacional de Parques Naturais e Ambiente


E isto não conta?






fotos retiradas da petição "Salvar a Ria Formosa" - Somos Olhão- Maio 2009

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O OLHÃO LIVRE distinguiu este espaço com o Prémio Lemniscata.

MUITO OBRIGADO

Estes são os blogs a quem passo a distinção:

Freedom Force

Cine 31

Vai dar banho ao cão

namb

Ao sabor de maré

No pó da bagagem

Pinóquio

quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Festival do Marisco


Li há pouco o programa musical para o Festival do Marisco.
Para a grandiosidade com que é tributado este festival, o programa não traz nada de novo, a não ser a curiosidade de ver ao vivo a miúda do tema aproveitado para enaltecer os nossos feitos olímpicos do ano passado.
Olhão não tem um parque de feiras e exposições (se calhar com tanta construção, nem terá já espaço para isso), pelo que as entidades organizadoras de eventos deste teor desembolsam, várias vezes por ano, carradas de dinheiro para pagar à empresa que monta e desmonta barracas gigantes e palcos. Ora se houvesse um espaço específico, devida e permanentemente equipado, o dinheiro poupado sempre poderia dar para variar o pacote musical do Festival do Marisco. Os artistas, qualquer dia, são prata da casa, tal a regularidade com que cá vêm.


Ah! Já agora, uma perguntinha: está muito atrasado o programa de Julho para o Auditório Municipal?

sábado, 13 de Junho de 2009

No rescaldo das eleições

Dando aí uma volta por outros mundos, fui lendo opiniões, análises e críticas aos resultados destas últimas eleições. Cartões vermelhos, dizem uns, avisos, dizem outros. É a alternância, avançam uns quantos.
Mas a minha atenção foi, sobretudo, para os que falaram da abstenção e que se detiveram nas considerações feitas a esse propósito pelo sr. Presidente da República, aquando do discurso do 10 de Junho. E gostei particularmente do que li AQUI e donde retirei este trecho e imagem:

... as pessoas estão a desistir é de vocês, da vossa maneira de governarem este país e de fazerem de nós parvos. Estão a ficar fartos da corrupção, da impunidade, dos abusos, dos enriquecimentos rápidos, do compadrio, da mentira. Esta é a lição que deviam tirar desta abstenção de 63% e dos 6,5% de votos brancos e nulos é a de que os estão a avisar que assim quem vai ser dispensado são vocês. Enquanto tentarem transferir a culpa para os eleitores e descartar a dos eleitos estão mesmo a pedi-las

fonte:http://wehavekaosinthegarden.blogspot.com/

sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Ele há coisas!...

Dando volta aos muitos papéis que para aqui andam abandonados e amarelecidos, descobri este "pedido" publicado há muitos. Ao que parece este poema foi dirigido ao Ministro da Agricultura do governo de Salazar, como forma de pedir adubos. Por mais estranho que pareça, o senhor que o escreveu não foi preso e Salazar até se fartou de rir (??!!!) quando o leu:


- E X P O S I Ç Ã O -

Porque julgamos digna de registo
a nossa exposição, senhor Ministro,
erguemos até vós, humildemente,
uma toada uníssona e plangente
em que evitámos o menor deslize
e em que damos razão da nossa crise.
Senhor: Em vão, esta província inteira,
desmoita, lavra, atalha a sementeira,
suando até à fralda da camisa.
Falta a matéria orgânica precisa
na terra, que é delgada e sempre fraca!
- A matéria, em questão, chama-se caca.


Precisamos de merda, senhor Soisa!...

E nunca precisámos de outra coisa.


Se os membros desse ilustre ministério
querem tomar o nosso caso a sério,
se é nobre o sentimento que os anima,
mandem cagar-nos toda a gente em cima
dos maninhos torrões de cada herdade.
E mijem-nos, também, por caridade!
O senhor Oliveira Salazar
quando tiver vontade de cagar
venha até nós solícito, calado,
busque um terreno que estiver lavrado,
deite as calças abaixo com sossego,
ajeite o cú bem apontado ao rego,
e… como Presidente do Conselho,
queira espremer-se até ficar vermelho!
A Nação confiou-lhe os seus destinos?
...Então, comprima, aperte os intestinos;
se lhe escapar um traque, não se importe,
… quem sabe se o cheirá-lo nos dá sorte?
Quantos porão as suas esperanças
n'um traque do Ministro das Finanças?
...E quem vier aflito, sem recursos,
Já não distingue os traques dos discursos.
Não precisa falar! Tenha a certeza
que a nossa maior fonte de riqueza,
desde as grandes herdades às courelas,
provém da merda que juntarmos n'elas.


Precisamos de merda, senhor Soisa!...

E nunca precisámos de outra coisa.


Adubos de potassa?... Cal?... Azote?...
Tragam-nos merda pura, do bispote!
E todos os penicos portugueses
durante, pelo menos uns seis meses,
sobre o montado, sobre a terra campa,
continuamente nos despejem trampa!
Terras alentejanas, terras nuas;
desespero de arados e charruas,
quem as compra ou arrenda ou quem as herda
sente a paixão nostálgica da merda…


Precisamos de merda, senhor Soisa!...

E nunca precisámos de outra coisa.


Ah!... Merda grossa e fina! Merda boa
das inúteis retretes de Lisboa!...
Como é triste saber que todos vós
Andais cagando sem pensar em nós!
Se querem fomentar a agricultura
mandem vir muita gente com soltura.
Nós daremos o trigo em larga escala,
pois até nos faz conta a merda rala.
Venham todas as merdas à vontade,
não faremos questão da qualidade.
Formas normais ou formas esquisitas!
E, desde o cagalhão às caganitas,
desde a pequena poia à grande bosta,
de tudo o que vier, a gente gosta.


Precisamos de merda, senhor Soisa!...

E nunca precisámos de outra coisa.


Pela Junta Corporativa dos Sindicatos Reunidos, do Norte, Centro e Sul do Alentejo
Évora, 13 de Fevereiro de 1934
O PresidenteD. Tancredo (O Lavrador)